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Colunistas

Ministério comum e ministérios específicos

Resumo:       O ministério comum de todos os santos é a edificação do corpo de Cristo. Alguns têm ministérios específicos, escolhidos por Deus, com o fim de aperfeiçoar todos os santos.

 

“E ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores (mestres em outra versão), querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo; até que todos cheguemos à unidade da fé, e ao conhecimento do Filho de Deus, a homem perfeito, à medida da estatura completa de Cristo, para que não sejamos mais meninos inconstantes, levados em roda por todo o vento de doutrina, pelo engano dos homens que com astúcia enganam fraudulosamente. Antes, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo, do qual todo o corpo, bem ajustado, e ligado pelo auxílio de todas as juntas, segundo a justa operação de cada parte, faz o aumento do corpo, para sua edificação em amor.”

Efésios 4:11-16

Por essa palavra, entendemos que o Senhor instituiu dois tipos de ministérios:

1) O ministério comum a todos os santos (inclusive aos discípulos com ministérios específicos):

·       Sua função é a edificação do corpo de Cristo.

2) Os ministérios específicos de apóstolo, profeta, evangelista, pastor e mestre:

·      Sua função é o aperfeiçoamento dos santos.

O propósito de Deus para cada membro do corpo de Cristo e sua igreja como um todo é:

·       Ser igual a Jesus!

“... unidade da fé, conhecimento do Filho de Deus,

homem perfeito, medida completa de Cristo”.

 

A “edificação do corpo de Cristo” leva ao atingimento desse propósito.

A edificação do corpo de Cristo é a obra de todos os santos. Isto é, compete a todos os membros do corpo cooperar com a edificação do corpo de Cristo. Assim, edificar o corpo não é função somente dos pastores, mas de todos os membros do corpo. Todos têm a mesma função - edificar o copo de Cristo; esta é a obra do ministério comum a todos os discípulos.

Sendo constantemente aperfeiçoados pela atuação dos ministérios específicos, os santos exercerão seu ministério comum de edificar todo o corpo, de forma a atingir a unidade e a semelhança de Jesus, o que na prática ocorre pelo relacionamento ordenado de todos os membros.

“... todo o corpo, bem ajustado, e ligado pelo auxílio de todas as juntas,

segundo a justa operação de cada parte,

faz o aumento do corpo, para sua edificação em amor.”.

Por isso o discipulado, isto é, o cuidar de vidas, o ensinar a andar no caminho, que é ministério comum a todos os santos, não é uma alternativa, um método, um movimento, uma visão, mas sim a forma que Jesus fez e a ordem do quê e como devemos fazer.

“Toda autoridade me foi dada no céu e na terra.

Portanto, ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-as (...),

e ensinando-as a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado...”

Pode haver variações no jeito de se fazer, conforme orientação do Espírito Santo em cada grupo ou localidade, mas é indispensável para a edificação (maturidade dos discípulos) e crescimento (acréscimo de discípulos) do corpo que ninguém ande sozinho, mas um a um e todos estejam claramente ligados/ajustados por juntas, vínculos de submissão e amor...

Vale aqui refletir sobre alguns cuidados que a igreja deve tomar no que se refere ao ministério comum a todos os santos e aos ministérios específicos de apóstolos, profetas, evangelistas, pastores ou mestres (doutores).

O propósito de Satanás foi, é, e sempre será impedir a plena realização do propósito de Deus.

Se para o não convertido o propósito inicial de Deus é que seja salvo, as forças enganadoras do inferno são direcionadas para manter o homem cegado pelo deus deste século, de forma que não se aproxime de Cristo e de seu Reino. Destruir o homem em todas as suas dimensões (espírito, alma e corpo) está em plano secundário.

Se para o renascido em Cristo o propósito de Deus é que edifique o corpo de Cristo, frutificando em novos filhos de Deus e levando outros a maturidade, especialmente por meio de sua própria semelhança com o Filho de Deus, as estratégias dos principados e potestades estarão voltadas para que o salvo seja inoperante em sua caminhada, de preferência mantendo-o no engano de que está fazendo a vontade de Deus. Remover o salvo de sua fé, levando-o à apostasia, está em segundo plano; e, somente em terceiro, destruí-lo tal qual pretende com o não convertido.

Uma artimanha de Satanás para derrubar aqueles que têm ministérios específicos, independente do nível de conhecimento da verdade e de comunhão com Deus que desfrutem, é convencê-los de que não precisam mais fazer novos discípulos, e, consequentemente, cuidar deles. Afinal, sorrateiramente os convencem os espíritos ministradores do diabo, “essa função é daqueles que não receberam o chamado de apóstolos, profetas, evangelistas, pastores ou mestres”. Óbvio que Satanás não faz isso de forma clara, mas sim velada, usando de sua astúcia e ardis cuidadosamente planejados e lentamente implementados.

A conseqüência mais grave desse desvio é justamente a quase imperceptível, porém crescente, inoperância do ministério específico dado por Deus, causada, principalmente, pelo distanciamento do homem da realidade cotidiana do incrédulo e do novo convertido, gerando também na vítima um estado inconsciente de insensibilidade quanto às necessidades, lutas e sofrimentos tanto dos não convertidos como daqueles santos a quem seu ministério específico deveria aperfeiçoar.

Outro desvio que trás estragos incalculáveis no corpo local e no alcance de vidas para o Reino de Deus é o fato do discípulo chamado para um ministério específico, por pura falta de maturidade, de entendimento e/ou precipitação (individual e coletiva), e naturalmente induzido por conselhos do inferno, exercer um ministério diferente daquele para o qual realmente foi chamado. É, por exemplo, o caso do “mestre” (ou doutor) ser colocado como pastor sobre a congregação, ainda que em conjunto com outros presbíteros.

Erro tão grave como o anterior é um discípulo assumir um ministério específico sem ser colocado nele pelo Senhor, e sim pelo homem, provavelmente induzidos por enganadores dos ares, ainda que as aparências demonstrem que “o ministério se encaixa perfeitamente no perfil do homem”.

Cabe à igreja, por meio da liderança e de todo o corpo, de forma individual e coletiva, perseverar em jejum e oração, buscar um conhecimento e discernimentos profundos das escrituras e dos princípios de revelação da vontade de Deus e de Sua vocação pelo Espírito Santo, sem ignorar os ardis de Satanás (II Co. 2:11).