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Editorial

Eu ví o Senhor

Conta-se uma história de um grupo de cães sentados numa praça numa cidadezinha do interior ao cair da tarde. Um dos cães viu uma lebre cruzar a estradinha bem na entrada na cidade, de um lado a outro. E foi atrás. Os outros cães, ouvindo o barulho do latido do primeiro cão, também foram atrás, sem saber ao certo o que havia ocorrido...

            Após alguns minutos, um dos cães retornou. Depois o outro; depois mais outro; e assim se foi até que todos retornaram. Após cerca de 30 minutos, todos os cães já haviam voltado aos seus lugares, com exceção do primeiro cão, que havia visto a lebre. Após cerca de duas horas, o cão retorna com a lebre na boca.

 

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Eu ví o Senhor!
 

 

            Eu ouvi essa história há mais de vinte anos quando eu ainda era recém-convertido, mas, nunca esqueci. Eu, alegoricamente, sempre me coloquei no lugar daquele cão e sempre entendi que eu somente permaneceria firme se eu pudesse ver o Senhor.

            Pode ser uma comparação esquisita, mas, eu sempre entendi que eu corria o risco de ser como aqueles cães que foram atrás de algo que não viram de verdade e somente foram impulsionados por causa do barulho feito pelo cão que viu a lebre.

            O autor da carta aos Hebreus, quando fala da fé (11:27) menciona que Moisés, não ficou amedrontado, mas, permaneceu firme, porque viu aquele que é invisível.

            Um pouco mais na frente, nessa mesma carta, o autor nos exorta a olharmos firmemente para Jesus, que é o autor e consumador de nossa fé.

            Ver o Senhor não estar relacionado a ter uma visão sobrenatural, tampouco está relacionado a misticismo. Ver o Senhor é ter os olhos fixos em Cristo e não estar sendo levado, conduzido, pela fé, pelo entendimento e pela visão de outras pessoas. Mas, é ter uma experiência pessoal com Cristo. Ter uma revelação pessoal sobre Jesus.

            Ver o Senhor é poder afirmar como Paulo a Timóteo (II Tm 1:12): “Eu sei em quem eu tenho crido!”.

            Quando um homem se vê numa situação de iminente pecado, ele pode ter várias desculpas para esquivar-se da possibilidade de pecar. Ele pode dizer: “Minha religião não permite”, ou pode dizer:”Não seria bom para minha reputação”. Esse mesmo homem ainda pode afirmar muitos outros motivos: questões morais, medo das conseqüências, medo do inferno, vergonha da igreja, conselho dos irmãos, ética ou qualquer outro motivo. Mas, um verdadeiro discípulo abandonaria a simples possibilidade do pecado por um único motivo, o mais nobre de todos: “eu vi o Senhor! Por isso não posso pecar”. Eu conheço a Cristo e sei que isso o desagrada. Os olhos do meu coração estão abertos e tenho entendimento pessoal de quem é Cristo. Eu tenho com o meu amado uma relação de conhecimento. Eu O conheço e sei quem Ele é!

            Na parábola da pérola (Mt 13:45-46), Jesus compara o seu Reino a um homem que negocia pérolas e encontra uma de grande valor e vai, vende tudo o que tem e a compra. Não é qualquer homem. É um homem que negocia pérolas. Um homem comum pode encontrar uma pérola de grande valor e não saber identificá-la. Nessa parábola, Jesus se compara a uma pérola e diz que o homem vende tudo e compra essa pérola porque é um negociante que sabe identificar o valor dessa pérola. Talvez, um homem comum, por não ter esse entendimento, logo mais tarde se desfizesse dessa pérola ou a trocasse por outro bem de menor valor, ou até mesmo continuasse a possuindo sem saber o seu valor real.

Assim é a vida. Precisamos conhecer ao Senhor. Saber o seu valor, o seu preço. É necessário que o discípulo saiba exatamente quem é Cristo. Conheça sua preexistência, sua encarnação, sua vida perfeita e irrepreensível, sua obra tremenda e grandiosa. Conheça sua morte e participe dela. Conheça sua ressurreição, sua exaltação. Conheça seu poder, sua divindade, seu Senhorio. Conheça sua santidade. 

E assim como Paulo, como Moisés, e como muitos outros que já partiram ou ainda vivem, possam afirmar: “eu vi o Senhor!

 

Paulo Ricardo