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Editorial

O Evangelho da paz

O que nós precisamos entender é que o homem quando pecou trouxe para a sua descendência um legado de inimizade contra Deus. Toda a humanidade passou a exibir em sua história uma marca que identifica um povo que optou por ser inimigo do Santo de Israel.

Tiago 4:4
Gente infiel! Será que vocês não sabem que ser amigo do mundo é ser inimigo de Deus? Quem quiser ser amigo do mundo se torna inimigo de Deus.

Mesmo que alguém, como você, deseje cruzar a fronteira e tente alcançar o reino do outro lado e pedir clemência ao Rei que tem vencido essa batalha desde o início, você não terá êxito.
Não que Ele não seja um Rei de misericórdia, mas, esse povo é alvo da sua Ira! Não o povo em sí mesmo, mas a sua vida, sua cultura, suas roupas, sua descendência, sua genealogia, seu estado natural.

Salmos 7:11-13
Deus é um juiz justo, um Deus que se ira todos os dias. Se o homem não se converter, Deus afiará a sua espada; já tem armado o seu arco e está aparelhado; e já para ele preparou armas mortais; e porá em ação as suas setas inflamadas contra os perseguidores.

Só há uma única maneira de escapar dessa investida violenta do exército desse Rei contra a sua vida e seu destino: “Se o homem se converter”. O segredo foi dado pelo salmista. O arco está armado, o exército está aparelhado, as setas já foram inflamadas e as armas mortais já foram postas em mãos. Só uma coisa pode lhe livrar dessa visão aterrorizadora: “Se o homem se converter”.

A única coisa que te livra dessa situação desconfortável é a conversão. É mudar de natureza. Sair de uma natureza de desobediência a esse Rei para uma natureza de completa obediência e submissão.
Hoje em dia, há uma lacuna, uma grande falta no verdadeiro anuncio do Evangelho. As pessoas, na ânsia de ganharem outros para Cristo, anunciam um falso evangelho; um evangelho barato, sem compromisso, sem despertar nos ouvintes a revelação de sua real posição para com Deus. Os ouvintes, por sua vez, acabam conhecendo um deus “fraquinho”, meio bobo, que recebe e aceita todo tipo de gente, com suas roupas mal lavadas e seus comportamentos deploráveis.
A grande prova disso é que os ouvintes recebem a “palavra” e não têm nada para meditarem nem para calcularem. A única decisão que eles têm que fazer é se vão escolher, ou não, participarem de encontros semanais e de um rol de membros desinteressados pela obra de Deus. Completamente alheios à advertência de Jesus de que aqueles que decidem pelo evangelho devem calcular bastante suas decisões, pois estão entrando em um caminho sem volta, a maior decisão de suas vidas.
Onde está o anuncio de tomar a cruz? Onde está o anúncio de calcular o preço? Negar a vida, renunciar a tudo?

Isaías 55.3:
Inclinai os ouvidos e vinde a mim; ouvi, e a vossa alma viverá;

(Porque? Se não dermos ouvidos, morreremos?)
Hoje, se gritarmos no meio dos ouvintes: FUJAM! Perguntarão: - Do que? Se gritarmos: CORRAM! Perguntarão: - Para Onde? Se gritarmos: ARREPENDAM-SE! Perguntarão: - Do que? Se gritarmos: CONVERTAM-SE! Perguntarão: - A quem? Como?
Está a igreja pronta para responder essas perguntas? Tem a igreja a resposta para essas indagações? Essas afirmações fazem parte do anúncio do nosso evangelho? É isso que anunciamos às pessoas quando falamos sobre Cristo e seu reino? Anunciamos o perigo que elas correm por estarem em inimizade contra Deus? Anunciamos a necessidade de se converterem de verdade, de mente e coração a Deus? Ou nos habituamos a “fazer convites” e dar respostas fáceis?

Lucas 14:26-33
Se alguém vem a mim e não aborrece a seu pai, e mãe, e mulher, e filhos, e irmãos, e irmãs e ainda a sua própria vida, não pode ser meu discípulo. E qualquer que não tomar a sua cruz e vier após mim não pode ser meu discípulo. Pois qual de vós, pretendendo construir uma torre, não se assenta primeiro para calcular a despesa e verificar se tem os meios para a concluir? Para não suceder que, tendo lançado os alicerces e não a podendo acabar, todos os que a virem zombem dele, dizendo: Este homem começou a construir e não pôde acabar. Ou qual é o rei que, indo para combater outro rei, não se assenta primeiro para calcular se com dez mil homens poderá enfrentar o que vem contra ele com vinte mil? Caso contrário, estando o outro ainda longe, envia-lhe uma embaixada, pedindo condições de paz. Assim, pois, todo aquele que dentre vós não renuncia a tudo quanto tem não pode ser meu discípulo.

NÃO PODE SER! Ou se converte de verdade ou não pode ser discípulo!
Essa verdade precisa impregnar a alma.
Essa palavra precisa ser como vento forte que varre o coração e faz o homem inteiro balançar, como um campo de trigo maduro.

Não podemos fechar os nossos olhos diante da tentativa de muitos ouvintes de se revestirem de Cristo sem se desvestirem de sí mesmos. Deus nunca reveste os homens sem primeiro despi-los.
A salvação é completa. Jesus nos salva, não apenas do inferno, mas também do pecado, e de nós mesmos. Todo homem precisa ser salvo de sí mesmo. Salvo da sua tentativa de mandar na sua própria vida; salvo do engano de que sabe o que é o melhor; salvo do seu governo pessoal.
A prova de que a alma foi conquistada para Cristo e que mudou de reino, consiste em uma mudança real de vida. Não é mudar “devagarzinho”!

"- Se a pessoa não passa a viver de modo diferente do que vivia antes, tanto em casa como fora, precisa arrepender-se do seu “arrependimento”. Pois a sua conversão é uma ficção.–" (A.W.Tozer).

Efésios 5:6
Ninguém vos engane com palavras vãs; porque por essas coisas vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência.

O anúncio desse evangelho é o único que pode ser chamado de evangelho da Paz, porque a única forma de produzir paz entre os homens e o Senhor é colocar os homens em completa submissão e irrestrita rendição ao Senhorio de Cristo.
O Evangelho da Paz é o evangelho que acalma os ânimos desse exército armado com arcos e recebe os homens quebrados como escravos de uma nova vida. Partes de uma nova família.
Fora disso, não há paz.

João 3:3
A isto, respondeu Jesus: Em verdade, em verdade te digo que, se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus.

Paulo Ricardo