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Editorial

A semente à ser plantada

Na ânsia de colher frutos e de ganhar pessoas, corremos o risco de lançar qualquer semente. O problema é que o fruto à ser colhido, depende da semente que foi lançada.

Há um tempo atrás, ocorreu uma situação inusitada na minha família. Meu pai tem umas terras, onde, ele tem aproveitado a aposentadoria e tem descansado depois do trabalho árduo de criar, formar, conduzir e casar cada um dos dez filhos que ele teve. Nessas terras, próximo da casa, meus pais plantaram todo tipo de árvores frutíferas para receber os netos nas férias. A casa vira uma verdadeira bagunça nessa época do ano. São 19 netos de férias. Nessas últimas férias nós não pudemos ir. Meus pais tinham programado a nossa ida e recebeu das mãos de um amigo um pacote de sementes, supondo ser um determinado tipo de fruta, que ele ainda não tinha disponível. Depois que ele plantou, a sementinha comentou a germinar e desde cedo ele estranhou a formação da planta. Com o passar do tempo, descobriu que havia nascido outro pé de acerola (o terceiro ou o quarto). Meu pai me ligou muito frustrado. Havia colhido um fruto que ele não queria, porque havia lançado a semente errada.

No reino isso não é uma situação difícil de se perceber. Na ânsia de colher frutos e de ganhar pessoas, corremos o risco de lançar qualquer semente. O problema é que o fruto à ser colhido, depende da semente que foi lançada.

O segredo é que se você lançou a semente correta e ela não germinou, o problema está no terreno e não na semente. Se a semente for a certa!

A tendência que temos é de culpar a semente. Quando não frutificamos mudamos a semente porque achamos que a falha está na semente (a partir daí começamos a descer a ladeira). Mesmo que o terreno seja pedregoso, outra semente funcionará, mas, não produzirá o mesmo fruto. No final, você colherá qualquer coisa, menos um discípulo.

Mateus 13: 3-8
E falou-lhe de muitas coisas por parábolas, dizendo: Eis que o semeador saiu a semear. E, quando semeava, uma parte da semente caiu ao pé do caminho, e vieram as aves e comeram-na; e outra parte caiu em terreno pedregoso, onde não havia terra bastante, e logo nasceu, porque não tinha terra funda. Mas, vindo o sol, queimou-se e secou-se, porque não tinha raiz. Outra parte caiu entre espinhos, e os espinhos cresceram e sufocaram-na. E outra parte caiu em boa terra e deu fruto: um, a cem, outro, a sessenta, e outro, a trinta.

Uma coisa interessante nessa parábola é que a semente sempre foi certa, o problema estava nos terrenos, nunca na semente.

Ora, o terreno é o coração de quem ouve. Se o coração é pedregoso ou cheio de espinhos, certamente a boa semente não prosperará. Agora, você correrá o perigo de querer adaptar a semente ao terreno. Aí é que está o problema...

Nunca, em hipótese alguma, a semente deve ser trocada. O preço do reino nunca deve sofrer descontos. A autenticidade da semente deve ser preservada. Para que? Para que se tenha a certeza de que o fruto será bom, porque a semente era boa.

Eu tenho visto, no decorrer da minha experiência cristã, pessoas, que não frutificam, e na ânsia de ganharem outros ficam à vontade para darem descontos no preço, mudarem a semente e alterarem o anuncio do evangelho.

Pessoas que não se dão contas de que estão enganando a si mesmos. Porque de Deus não se zomba.

Gálatas 6:7 Não vos enganeis: de Deus não se zomba; pois aquilo que o homem semear, isso também ceifará.

Estão se enganando porque só trarão trabalho para dentro da igreja. Trarão pessoas desinteressadas pela obra, impuras, inescrupulosas, pérfidas, sem amor genuíno ao Senhor. Interessadas apenas no que podem receber de Deus, cheias de direitos, maldizentes, levianas.

Essas pessoas serão carregadas nas costas, enquanto isso, chicotearão àqueles que os estão carregando e cobrarão seus direitos, as promessas de bênçãos, de alegria e de felicidade que lhe fizeram na entrada do reino!

- “Onde estão as minhas bênçãos?”, “Porque não vieram me visitar?”, “Não vêem a minha necessidade?” . Será o coro que será ouvido dentro dessa multidão de frutos mal formados.

As aberrações da natureza celestial. Os chamados “miomas” espirituais. Nunca foram frutos verdadeiros e não chegarão à ser a não ser pelo poder transformador e convencedor do Espírito de Deus.

Costumamos negociar o anúncio do reino! Queremos convencer as pessoas a entrarem no reino prometendo a elas coisas que não devem ser prometidas. Prometemos bênçãos, prometemos emprego, saúde, felicidade, alegria, paz, sucesso, prosperidade, tudo! Prometemos tudo! Prometemos o que Deus não nos prometeu. Aí damos oportunidade para sermos cobrados.

Quando não cometemos o erro de prometer o céu partimos para o outro erro e enganamos as pessoas dizendo que o que Deus espera delas é que freqüentem uma reunião e façam parte de uma igreja.

Querer frutificar baixando o padrão de Deus e alterando a genética da semente é um erro tão imaturo, que ao invés de chamar essa atitude de desespero podemos chamar de tolice.

É tolice porque segundo o próprio Jesus, o único que consegue frutificar a cem, a sessenta, e a trinta é o que uniu a semente verdadeira e a terra boa.

A terra boa é a disposição de servir ao Senhor, a vontade de agradá-lo. É o coração pronto.

A semente verdadeira é o anuncio do reino. É dizer as pessoas, não o que elas querem ouvir, mas o que elas precisam ouvir. Jesus quando chamou Pedro para o reino avisou para ele que o havia chamado para trabalhar! Pedro não foi enganado! Jesus foi claro. Estava o chamado para ser pescador de homens (Lc 5:10). Jesus comunicou aos discípulos que a vida de cristão não seria tão fácil, e que eles teriam aflições(Jo 16:33). Pedro entendeu tanto esse chamado que depois de ter sido batizado pelo Espírito Santo, anunciou o reino em Jerusalém aos judeus e aos demais. Depois de dissertar sobre Jesus, a multidão se compungiu de coração e perguntou sobre o que eles deveriam fazer de prático (Que faremos, varões irmãos? – At 2:37). A resposta de Pedro não foi uma chamada para uma religião, nem um convite para os cultos. Tampouco Pedro prometeu nada a ninguém. A resposta foi :
Atos 2:38
Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para perdão dos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo.

Atos 2:40
E com muitas outras palavras isto testificava e os exortava, dizendo: Salvai-vos desta geração perversa.

Pelo que o livro de Atos relata nos versículos seguintes no final do capítulo 02, aqueles homens entenderam para o que foram chamados. Receberam a boa semente. Não foram enganados.
Outro ponto que quero considerar é que se o fruto não foi gerado é porque o terreno não está pronto, mas nunca posso alterar a semente. A semente deve ser preservada. Se eu for fiel no cuidado da semente e continuar procurando o terreno certo, a frutificação é certa. Porque quem dá o fruto é o Senhor.

Marcos 4:26-27
Disse ainda: O reino de Deus é assim como se um homem lançasse a semente à terra; depois, dormisse e se levantasse, de noite e de dia, e a semente germinasse e crescesse, não sabendo ele como.

Não sabendo ele como. Assim é a frutificação. O encontro da boa semente com a boa terra. Mas, quem germina esse fruto é o Senhor.

Por isso olhe para as suas mãos! Qual a semente que está sendo lançada? Que tipo de fruto você tem colhido? O que você tem dito para as pessoas? Se a semente estiver errada, volte ao princípio de tudo e vá buscar nas mãos do semeador a semente verdadeira. Agora, se você tem a semente certa, não baixe o preço, não dê desconto, não altere a semente, não mude o anuncio o reino. Preserve a verdade. E enquanto isso, continue procurando terras boas, para a semente que você tem nas mãos, que é boa, de natureza.

Paulo Ricardo