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Editorial

A Unidade

Naqueles momentos em que antecederam a crucificação, Jesus transmitiu algumas palavras de despedidas que, por hora, não foram entendidas pelos discípulos.

João 17:21-23 => “(21) A fim de que todos sejam um; e como és tu, ó Pai, em mim e eu em ti, também sejam eles em nós; para que o mundo creia que tu me enviaste. (22) Eu lhes tenho transmitido a glória que me tens dado, para que sejam um, como nós o somos; (23) eu neles e tu em mim, a fim de que sejam aperfeiçoados na unidade, para que o mundo conheça que tu me enviaste, e os amaste como também amaste a mim.”

João 17:17 => “Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade.”

Essa oração de Jesus, é um dos momentos mais marcantes de seu ministério. Jesus sabia que seria crucificado, sabia que o Getsêmani o aguardava do outro lado do ribeiro Cedrom, e ele tinha que passar por lá. Sabia que aquele seria o último momento com os discípulos, sabia que na crucificação ele iria romper o relacionamento com o Pai por causa dos pecados dos homens que cairia sobre ele. Na verdade, o coração de Jesus estava sofrendo um turbilhão de emoções e sentimentos que nenhum de nós nunca o conseguiremos expressar. A próxima oração de Jesus seria um clamor profundo de que àquele cálice fosse passado e uma declaração de determinação quando disse ao Pai que queria que a vontade dEle (do Pai), fosse satisfeita. Naqueles momentos em que antecederam a crucificação, Jesus transmitiu algumas palavras de despedidas que, por hora, não foram entendidas pelos discípulos.

Um pouco antes dessa oração, no capítulo 16, versus 21, Jesus ilustra um pouco seu coração dizendo que: “A mulher quando está para dar à luz, tem tristeza, porque a sua hora é chegada;”.

E foi no meio de toda esse conflito interior, de todo esse turbilhão de emoções, que Jesus orou dizendo: “...que também eles sejam um...”. Alguns interpretam essa oração de Jesus como uma oração poética. Ora, eu não consigo entender que alguém, no meio de todas essas emoções, conseguisse a proeza de fazer poesias. Jesus, com certeza, foi verdadeiro e sincero. Expressou seu desejo e o desejo do Pai, de que pudessem ver a igreja como uma só. E que, a unidade que Ele tinha com o Pai se estendesse à igreja como um todo.

Para alguns, essa oração é impossível. Ora bolas, por isso mesmo que Jesus orou, porque, pelo fato de ser impossível aos homens, Ele tornou possível a partir do momento em que empenhou sua palavra em oração (Mateus 19:26 => Jesus, fitando neles o olhar, disse-lhes: Isto é impossível aos homens, mas para Deus tudo é possível”).

A unidade da igreja, hoje em dia é vista como algo impossível porque cada um trilha o seu próprio caminho, e as vezes parecem ser caminhos diferentes. Nessa oração de Jesus existem dois segredos escondidos no capítulo 17 que gostaria de traze-los à luz:

1. A santificação pela palavra - Versículo 17 => “Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade” .
Ora, no início do evangelho de João, no capítulo 1, versus 1, o evangelista inicia o livro relatando o fato de Cristo é a palavra. Também no versículo 14, versus 6, Jesus afirma de si mesmo: “Eu sou a verdade”. Portanto, palavra e verdade são nomes dados ao próprio Cristo. Quando Ele orou pedindo que o Pai santificasse a igreja na verdade e na palavra, estava pedindo para o Pai santificá-los nEle (em Cristo). Um dos impecílios da unidade, hoje em dia, é que muitos se desviaram da verdade e estão trilhando caminhos estranhos aos olhos do Senhor. Criaram suas próprias religiões. Estabeleceram seus veredictos pessoais do que é certo e do que é errado e não aceitam serem santificados em Cristo. Longe deles, abandonarem a prática de suas vidas imundas e mundanas e abraçarem a Cristo. Longe deles, abrirem mão de seus ensinos perversos e deturpados e aceitarem a correção do Senhor. Como explicarão a muitos que estiveram errados em suas falsas afirmações à respeito de Deus? O pecado é um impecílio enorme à unidade. Cristo quer que a igreja seja uma, mas, não tolerará pecado como moeda de barganha.

2. A perfeição pela unidade - Versículo 23 => “...a fim de que sejam aperfeiçoados na unidade...” .
Vamos a uma lição primária de matemática: Quando que dois podem ser um? Quando, os dois, ambos, são meio. Ninguém pode partir para a unidade sem disposição de perder. Se você já vai sendo um, então, para eu ser um com você, tenho que ser “zero”; porque um + zero = um. Essa é a conta. Para que dois sejam um é necessário que ambos estejam dispostos a perder. E se forem três, a perda é maior. E se forem quatro, pior ainda. E assim por diante. A unidade aperfeiçoa a igreja porque não perdemos o que ganhamos com Cristo, perdemos o que temos de sobra: projetos pessoais, ideias humanas, pré-conceitos, falhas, erros...Isso é o que perdemos. Por isso a unidade aperfeiçoa. Porque nos revela o que precisamos perder e o que temos que ganhar.

Nos revela a Cristo.Precisamos entender que, se Cristo expressou esse clamor, esse desejo, num momento crucial de seu ministério, num momento em que entendemos como um momento de despedida, então é porque era um desejo profundo de seu coração, e do coração do Pai, que Ele não queria que se perdesse após a sua morte. Cristo expressou naqueles momentos finais o que Ele considerava mais importante: Falou do Espírito Santo (Cap. 16), confortou os discípulos sobre as tribulações do mundo (16:13), Falou da vida eterna (17:3), orou pelos discípulos para que fossem guardados do mal (17:11-15), orou para que a igreja se santificasse (17:17),orou pela unidade (17:21-23). A unidade fez parte da oração de Jesus e deve fazer parte de nossa oração e nosso desejo. Mas, para isso, temos que estar dispostos a sermos santificados e a perdermos para sermos um.

Filipenses 2:2 => “Completai o meu gozo, para que tenhais o mesmo modo de pensar, tendo o mesmo amor, o mesmo ânimo, pensando a mesma coisa;”

Salmos 68:6 => “Deus faz que o solitário viva em família...mas os rebeldes habitam em terra árida.”

Paulo Ricardo