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  • Paulo Ricardo Cardoso

O Evangelho Vivo


Quero refletir um pouco sobre a deficiência do evangelho que tem sido pregado nesses últimos tempos. Nunca, em toda a história da igreja no mundo, o evangelho foi pregado de forma tão aberta e tão massificada. O evangelho, em tempos remotos, não conseguia atingir um alcance tão grande como nos dias de hoje. Com a abertura dos canais de rádios e de televisão para o público evangélico e as milionárias campanhas de evangelismo, a pregação do evangelho tomou proporções que nunca haviam tomado antes.

Pessoas, em lugares longínquos e distantes no nosso país têm a oportunidade de acesso ao evangelho que antes só tinham através de missões de homens e mulheres que abandonaram suas vidas e suas famílias para virem ao Brasil anunciarem o propósito Eterno de Deus.

Hoje em dia o anúncio de Cristo está a um palmo à nossa frente, no controle da televisão, no botão do nosso rádio, ou nas telas dos nossos celulares.

Mas porque, apesar do crescimento dos meios de transmissão do evangelho, mesmo assim, temos colhido poucos frutos? Ou, os que colhemos são deficientes?

Num dos episódios mais intrigantes do Novo Testamento (Jo 1:45-48), Filipe, um dos discípulos de Jesus, encontra Natanael e lhe anuncia que havia encontrado o Messias. Ao afirmar que Jesus era de Nazaré, Natanael duvida que um Nazareno pudesse ser o Messias que havia sido prometido ao povo por Moisés e pelos profetas. Filipe apenas lhe respondeu: “Vem e vê.”

Um dia antes (Jo 1:35-39), João estava em companhia de dois dos seus discípulos e viu Jesus passar. Ao afirmar para os discípulos que Jesus era o cordeiro de Deus, os dois homens foram atrás de Jesus e lhe perguntaram algo referente à sua vida: “Onde assistes?” a resposta de Jesus foi a mesma de Filipe para Natanael: “Vem e vê.”

Jesus afirma no evangelho de Mateus (5:13) => “Vós sois o sal da terra...” e (5:14) “Vós sois a luz do mundo...”

Na carta de Paulo à igreja em Corinto, Paulo afirma que “nós somos para com Deus o bom perfume de Cristo...”

Nós temos aqui um tipo de evangelho diferente. Quando Jesus afirma que nós somos o sal da terra, ele está dizendo que a terra não tem sabor e que nós fomos chamados para temperar a terra, com a nossa vida. Quando Jesus afirma que nós somos a luz do mundo, ele está dizendo que o mundo está nas trevas (Mateus 4:16) e que nós fomos chamados para trazer luz sobre a vida deles.

Paulo não fica atrás. Paulo entendeu essa mensagem de uma forma tão contundente que ele afirma aos Corintos que nós somos o bom perfume de Cristo. Fomos chamados para trazer sobre as pessoas o cheiro daquele que é o Messias, daquele que é o Santo de Israel.

A grande deficiência do evangelho pregado nos últimos dias é a falta dessa marca impressa em nossas vidas. Estamos prontos para anunciar a Cristo, para satisfazer o ouvido dos que ouvem. Mas não estamos prontos para satisfazer os seus olhos com um evangelho vivo, que é luz, que brilha, que ilumina todos os que estão na casa. Estamos prontos para encher as pessoas do conhecimento, mas não estamos dispostos a satisfazer a necessidade que o mundo tem de conhecer um evangelho saboroso, que tem gosto, que tem sabor, que não é insípido, não é amargo.

Estamos prontos para satisfazer a sede de entendimento e de intelecto das pessoas, mas, onde está a nossa disposição de, através de nossas vidas, anunciarmos o cheiro de Cristo? Onde está o cheiro de Cristo através de seu exemplo como marido, como esposa, como filhos, como cidadão, como empregado, como vizinho, como discípulo? Onde está o seu cheiro? Onde está o seu sabor? Onde está a sua luz?

No livro de Atos (2:47), é narrado a conversão de 3.000 pessoas num único dia e o autor de Atos dá a dica dizendo que a igreja contava com a simpatia de todo o povo. Que simpatia? Ora, a igreja não estava incumbida apenas de anunciar a Cristo através de seus sermões e pregações. Mas sabia do seu chamado de ser luz, ser padrão, ser sal, dar sabor, ministrar o cheiro do Santo de Israel.

A igreja contava com a simpatia do povo porque podia dizer “Vem e vê”, sem se preocupar em ser pedra de tropeço, sem a mínima possibilidade de se tornar escândalo para os que estavam fora da comunidade cristã.

O povo que rodeava a igreja primitiva não convivia com homens bonitos, bem vestidos em seus paletós caros e com um discurso programado. O povo não estava rodeado por uma igreja ausente, que aparecia apenas para pregar um sermão bem elaborado e depois desaparecia durante a semana misturado no meios dos gentios e dos pagãos. A igreja estava presente, sendo luz, sendo sal, ministrando o cheiro de Cristo e mostrando com suas próprias vidas, no dia a dia, o poder transformador do Messias de Israel.

Talvez seja essa a deficiência do nosso evangelho no Brasil: A falta de padrão, a falta de exemplo, a hipocrisia, a mediocridade.

Esse é o tempo de Deus de levantar homens e mulheres insatisfeitos com esse quadro, com essa situação.

Homens e mulheres que estejam dispostos a anunciarem a Cristo. E quando alguém lhe perguntar: “Como eu posso agradar a Cristo?”, você possa responder: “Venha comigo e eu lhe mostrarei com a minha vida”. Vem e vê!

Aí, a igreja será poderosa e frutificaremos muito e cumpriremos o papel para o qual fomos chamados.

Homens e mulheres que sonhem com o dia em que as suas vidas sejam a maior campanha evangelística da história da humanidade.

Que Deus abençoe a igreja no Brasil.

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